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7 perguntas simples com respostas óbvias (e desconfortáveis) sobre biblioteconomia

publicado em 05.07.2009 | 9

Tatoo de uma bibliotecária dedicada

Queria deixar aqui algumas perguntas aparentemente simples com respostas óbvias, mas extremamente relevantes para a biblioteconomia atual:

1) Por que os cursos de biblioteconomia, de maneira geral, não adequam seus currículos para a realidade, não só do mercado de trabalho, mas do mercado de informação, cada vez mais digitalizado, interativo e interconectado?

2) Por que ainda hoje dá-se mais valor aos aspectos rigorosamente técnicos das atividades cotidianas de uma biblioteca, deixando de lado os aspectos sociais, tecnológicos e comunicacionais que são igualmente (em determinados casos, até mais) importantes?

3) Por que algumas disciplinas dedicam dois ou mais semestres letivos para assuntos que poderiam ser tratados em dois meses?

4) Por que é tão difícil tornar a biblioteca atrativa para a sua comunidade de usuários, mesmo com poucos recursos?

5) Por que alguns bibliotecários ainda não pensam na informação como bem comum para a construção do conhecimento, mantendo importantes acervos inacessíveis ao público?

6) Por que temos dificuldades de colocar em prática a seguinte relação: biblioteca X internet? E que tal uma mais difícil: bibliotecário X tecnologia?

7) Por que muitos profissionais têm medo do fim da regulamentação da profissão de bibliotecário?

 

artigo publicado em  Biblioteconomia
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9 comentários

  • Rosane  comentou em 24.08.2009:
  • Ótimo debate e comentários. As informações deste blog são muito impotantes. Sou do Paraná, gostaria de saber se há algum curso de biblioteconomia à distância. Parabéns e obrigada.

  • Anderson Batista  comentou em 27.07.2009:
  • Alexandre,

    Confesso que nos primeiros períodos de minha graduação pensei em retroceder, visto as dificuldades que pude visualizar desde o começo.Foi a partir do momento que comecei a me movimentar, e foi nessa minha inquietação que encontrei blogs como o seu,que percebi que poderia, juntamente com outros estudantes e profissionais, a ajudar construir uma nova forma de trabalhar e mostrar a biblioteconomia.

    Parabéns pelo blog e continue a permitir que debates como estes sejam sempre apresentados, não como falácias,mas que os mesmos venham acompanhados de seus respectivos frutos.Eu acredito na profissão!

    Valeu!

  • Hevellin Estrela  comentou em 09.07.2009:
  • Eu assino em baixo em tudo o que vc falou Alexandre. Não é me gabando, mas eu acho que alguma diferença eu faço, e a principal é gostar da área que escolhi para ser profissional, sei ainda tenho muito o que melhorar, muito o que aprender, mas tenho sede e fome de conhecimento. E desejo o melhor para a nossa área pois sei o quão gratificante ela pode ser. Outra ponto louvável é a sua atitude de construir uma ferramenta onde possamos ter boas ideias e discutir os assuntos pertinentes da área, e é por isso que me animo mais ainda, pois vejo uma luz no fim do túnel, acredito que a biblioteconomia está em expansão e que os novos profissionais estão modificando a área. Sei que a faculdade é muito rigída e tals, mas os pensamentos que tenho em relação a área aprendi na faculdade, essa questão de mudanças, de pro-atividade. O curso de Biblioteconomia na UFG teve sua grade modificada no ano de 2004, ano que entrei na faculdade e aqui a maioria dos professores nos colocam como pode ser ampla a nossa atuação.
    Parabens pelo blog!

  • A. Berbe  comentou em 07.07.2009:
  • Hevellin,

    Você colocou outra característica importante que mereceria uma oitava pergunta: “por que um bom número de bibliotecários culpam associações, conselhos e sindicatos por sua situação, digamos, menos favorável e deixam de acreditar na sua própria competência?”… Cansei de ouvir bibliotecário reclamando da falta de atuação do CRB. Peraí, tem muita coisa que o próprio bibliotecário poderia resolver sem depender de órgãos e da burocracia. Acredito que, por nossa natureza e formação, o bibliotecário é um ser altamente criativo e sensível às necessidades reais do seu público. Talvez essa criatividade seja enterrada pelo rigor técnico exigido na profissão no decorrer da graduação e dos estágios obrigatórios. Nos preocupamos demais com os nossos acervos e esquecemos que o usuário é a peça mais importante de todo o serviço de informação.

    Uma outra pergunta que pode ser feita é: “por que o bibliotecário discute e reclama tanto?”… A profissão não é valorizada, não cresce no mercado de trabalho e não se destaca. A culpa é do CRB que não faz nada, apesar de pagar uma anuidade cara? Que tal se muitos fizessem uma pergunta: faço a diferença no meu trabalho? No momento em que a resposta for “sim”, a valorização ocorre naturalmente. E acredito que esse tipo de atitude, pró-ativa e de olho na real necessidade dos usuários de informação, já está enraizada nos profissionais mais jovens.

  • Hevellin Estrela  comentou em 07.07.2009:
  • A atual situação dos bibliotecários, ou de sua grande maioria, no meu ponto de vista é interessante pelo seguintes fatos: Todos querem mais reconhecimento, melhores salários, mais dignidade na profissão…todos discutem, pensam, brigam e lutam (pelo menos em palavras) por questões profissionais biblitoeconômicas.

    Mas realmente o que falta é a união da classe, é a classe fazer algo efetivo, sair do plano das idéias, não discutir questões que não levam a muito lugar, como por exemplo, pagar ou não pagar o CRB, que tais e tais profissionais são assim, que os Conselho e Associações não fazem nada….

    Falta as pessoas olharem para si mesmas e verem que tipo de profissionais são, o que cada um faz para melhorar a classe, participar mais dos eventos, fazer mais, fazer por onde… e acima de qualquer outra coisa estar interado nas mudanças percebendo que hoje temos que ser um profissional multidisciplinar porque se não continuaremos a perder espaço no mercado para outras profissões.

    Muitos acham mais fácil, e mais cômodo, sentar na “sua” biblioteca, cruzar os braços e reclamar, sem abrir mão de um final de semana para buscar melhorias para a classe, sem participar por eventos realizados, sem mostrar o valor da nossa profissão para o seu ambiente, para a sociedade.

    Talvez se fossemos uma classe mais ativa, que fizesse mais e principalmente que efetivasse suas idéias. Quem sabe assim essas suas perguntas seriam mais faceis de responder

  • Ana Claudia mota  comentou em 06.07.2009:
  • Talvez a dificuldade que bibliotecário tenha com a internet e a tecnologia e a te mesmo em se adaptar a nova realidade do mercado de trabalho e de um mundo cada vez mais digitalizado e conectado é devido a sua formação extremante técnica e metódica.

    E o esteriótipo (desagradável) que bibliotecário carrega na maioria das vezes é regra e não exeção, aliada ao fato da classe não ser organizada e a profissão ser uma total desconhecida para maioria da população.

  • Anderson Batista  comentou em 05.07.2009:
  • Ai ai ai…Alexandre. As feridas estão expostas e talvez as respostas não sejam tão óbvias, até porque as mesmas não dependem de uma só pessoa ou grupo, mas sim de toda classe.Na verdade,ultimamente, alguns blogs de Biblio estão colocando essas e outras perguntas no campo das discussões, e espero que o produto desses debates seja satisfatório.

  • Lygia Canelas  comentou em 05.07.2009:
  • Oi, acredito que por termos um número de profissionais relativamente pequeno no mercado, temos um grande grupo de profissionais desatualizados e não organizados entre si. Acho que está surgindo uma nova geração de bibliotecários, e me incluo nela, que já percebem as novas necessidades. Quanto às universidades, concordo que a tecnologia e a internet são pouco exploradas, mas pera lá, pois estou no segundo semestre ainda, espero que minha universidade me surpreenda positivamente nesse aspecto.

  • Jorgivania  comentou em 05.07.2009:
  • Oi Alexandre,

    Que perguntas, hein?

    Como estudante de Biblioteconomia, tenho perspectivas revolucionárias da profissão e acredito na possibilidade de mudanças. Só espero ver a profissão do bibliotecário mais organizada e bem vista pela sociedade. Posts como este, debates, em sala de aula ou não, incentivo profissional e social talvez possam ajudar a refletir sobre o futuro da profissão.

    Penso que o esteriótipo (desagradável) do bibliotecário pode ser reformulado através do que é repassado em sala de aula. Se continuarmos seguindos preceitos antepassados de técnicas ligadas somente a livros, nossa profissão não chegará a mais nenhum lugar. O envolvimento dos profissionais bibliotecários do Brasil com a Tecnologia da Informação ainda é tímido e pouco explorado. O campo é vasto, mas ainda existe um temor em “ousar”.

    Depende de nós mesmos…

    Bom post!

    Jorgivania

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O AUTOR

Alexandre Berbe, paulistano, formado pela ECA/USP, bibliotecário da Biblioteca Virtual. Interessado em arquitetura de informação, internet móvel, bibliotecas digitais, redes sociais e cibercultura, acredita que a biblioteconomia pode fazer a diferença no mundo. Tuiteiro, blogueiro e corinthiano, é fã do Wordpress, detesta dias de chuva e o trânsito de São Paulo, gosta de andar na sua bike e adora um cinema com pipoca no fim de semana. :-)

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