29.04.2010
Hoje, 29 de abril de 2010, acontece a inauguração da primeira biblioteca-parque brasileira na comunidade de Manguinhos, na cidade do Rio de Janeiro.
Localizada na Avenida Dom Helder Câmara, 1.184, e com mais de 2.300 metros quadrados de área, a Biblioteca Parque de Manguinhos é uma iniciativa do Governo Federal (Ministério da Cultura, através do programa Mais Cultura e do Plano Nacional de Livro e Leitura) e do Governo do Estado (Secretaria de Cultura), e atenderá a 16 comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro, cuja população soma, aproximadamente, 100 mil habitantes.
Para oferecer à comunidade acesso imediato e fácil à informação, inclusão e transformação social, a Biblioteca Parque de Manguinhos conta com ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, cineteatro, cafeteria, acesso livre à internet, em rede wi-fi, e uma sala – denominada “Meu Bairro” – para reuniões da comunidade. Além disso, haverá leitura, cursos, oficinas, estágios, intercâmbios e atividades dedicadas às crianças e aos jovens.
A Academia Brasileira de Letras é madrinha da Biblioteca Parque de Manguinhos, a qual apoia com a doação de livros, consultoria a cerca da aquisição de novos títulos para atualização do acervo e orientação sobre a programação de seminários. No futuro, lançará, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, o prêmio de literatura da Biblioteca Parque de Manguinhos e da Academia Brasileira de Letras.
Foram investidos na Biblioteca Parque de Manguinhos R$ 8.680.000,00, incluídos, aqui, a construção do prédio e aquisição de acervo, mobiliários e equipamentos. O projeto de arquitetura é do argentino Jorge Mario Jauregui e a ambientação foi feita por Ana Luiza Sampaio. Ambos são da MPU Arquitetura.
O mais importante de tudo isso é perceber que, pouco a pouco, o conceito de biblioteca no Brasil está se transformando. Depois da Biblioteca de São Paulo e, agora, com Manguinhos, as novas bibliotecas estão surgindo sem aquele antigo conceito de espaço silencioso, cinza, sem graça, sem atividades extras além da leitura de livros.
É preciso dizer que o Rio acertou em cheio ao disponibilizar instalações culturais modernas numa comunidade carente. Não que outros bairros não precisam, contudo as regiões mais pobres precisam ter acesso ao melhor que existe. Fazer projetos “quebra-galho” que desaparecem com o tempo, ou instalar serviços ultra-modernos longe da periferia (que é o caso da Biblioteca de São Paulo), é desperdício de esforço e recursos.
Isso que é uma novidade para nós, brasileiros, já é realidade há um bom tempo em outros países. Em Medellín,na Colômbia, esse tipo de espaço existe desde 2006, contribuindo para a redução das taxas de violência nos bairros carentes. Em países desenvolvidos, bibliotecas modernas podem ser encontradas em redes por toda a cidade.

Biblioteca-parque de Medellín
Um bom exemplo disso é em Amsterdam, Holanda. São 27 bibliotecas e uma biblioteca central que atraem um público de mais de 4 milhões de pessoas (lá, é a instituição cultural mais visitada da cidade).
A partir dessas iniciativas, acredito que cada vez mais bibliotecas high-tech públicas (ou “bibliotecas com cara de livraria Cultura”) sejam instaladas pelo Brasil. Não só porque os políticos adoram copiar bons projetos para vendê-los por alguns votos nas eleições, mas porque não dá mais para separar as bibliotecas do acesso à informação em formato digital.
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