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31.01.2008

Salários baixos, sindicatos e os CRBs

 

Se tornou comum ver a indignação de profissionais por conta dos baixíssimos salários oferecidos em concursos públicos em várias partes do Brasil. A reivindicação é quase sempre a mesma: “e o CRB, não vai fazer nada?”.

É necessário esclarecer que o papel dos conselhos é outro.

Os Conselhos Regionais de Biblioteconomia foram criados pela Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962, possuem personalidade jurídica de direito público, autonomia financeira, administrativa e patrimonial. Tem por finalidade orientar, aperfeiçoar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de bibliotecário.

O CRB é responsável pela atividade profissional. Ou seja, o CRB só deve ser acionado para analisar um caso que envolva um profissional ou instituição.

Por outro lado, os sindicatos existem para defender os direitos do trabalhador, inclusive as questões de salário inferior ao piso determinado. Sindicato é a associação de trabalhadores pertencentes a uma mesma categoria profissional ou de empresas/entidades de um mesmo ramo de atividades. Esses grupos (de trabalhadores) têm o direito, garantido por lei (CLT, art. 511), de criar o seu sindicato, organizando, dessa forma, a categoria representada.

Baixo salário é visto como desvalorização. Ou, sob outro ponto de vista, desconhecimento do valor do profissional pelas pessoas fora do nosso campo de atuação. Há muita gente nas instituições públicas e empresas privadas que ainda acham que a função do bibliotecário é arrumar os livros na estante.

A busca pela valorização do bibliotecário tem que começar pelo próprio profissional da área. Não adianta jogar o problema sempre no colo dos Conselhos de Classe. Faça o seu melhor, busque sempre inovações dentro de seu campo de atuação e recuse empregos cujo salário seja inferior ao que se considera justo para o bibliotecário. Embora muitas pessoas precisem do dinheiro para sustentar famílias ou estudos, o retorno financeiro e o devido reconhecimento sempre aparece para os mais dedicados. Mostre o seu valor!

 

 

 

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2 COMENTÁRIOS

  • fabio comentou em 13.03.2008 - 10:07

    Com certeza quem escreveu esse artigo está muito bem empregado. Quero ver quando um bibliotecário(que há uma pessoa por trás do bibliotecário)precisar aceitar um emprego de 500,00 ou poassar fome, onde está a valorização profissional ai? Ou aceita ou fome, e não me venham falar que isso ocorre com todas as profissões. Biblioteconomia é um curso superior ou não? Muitos bibliotecários trabalham em duss, três ou mais bibliotecas, vão ali tomar seu “chazinho”, depois voltam para a China e tá feito, naquelas bibliotecas têm Bilbiotecário, mesmo sendo apenas na “hora do chá”. Agora dizem que a profissão é de caráter liberal e outras baboseiras, se não há emprego, por que então muitos “pegam” varios lugares para trabalhar enquanto outros (a maioria) estão desempregadas ou subempregadas, na verdade é a única profissão de nível superior onde há subemprego, e tenho dito.Informática?Analista de sistema, ciência da computação, sistemas de informação, e não Biblioteconomia. Educação? Historiadores, pedagogos, psicólogos e não bibliotecários.Não adianta essa onda de paz e amor que toma conta dos estudantes e bibliotecárias empregadas, porque a realidade é bem outra e está cada vez mais tomando proporções catastróficas. A solução seria uma mudança radical na própria formação do bibliotecário, nas disciplinas do curso, precisa haver um currículo mais agressivo e competitivo, pois salvo a área cada vez mais restrita das bibliotecas tradicionais , a maioria dos bilbiotecários não possuem a menor chance de competir no mercado da informação e da tecnologia.

  • Alexandre Berbe “Web Librarian” comentou em 13.03.2008 - 10:34

    Em partes:

    1) Empregabilidade: a biblioteconomia é privilegiada, embora para muitos isso não possa parecer. Há muito estágio e muito emprego. No entanto, essa distribuição de vagas não é equilibrada. Enquanto nas grandes cidades há boas oportunidades, nas médias e pequenas só através do concurso público (e aí muitos aceitam aquilo o que é oferecido).

    2)Subemprego: existe em quase todas as profissões. Não são todos os Analistas de Sistemas que ganham salário acima de dois mil reais. Aliás, conheço a área de informática e posso afirmar que os bons salários (aqueles que a gente lê na Revista Info ou Você S.A.) são a minoria. Professores, engenheiros, advogados, contadores, artistas plásticos… a maioria vive subempregada porque isso aqui é Brasil.

    3) Currículos: isso eu concordo. Deveria ter disciplinas que espelham a realidade do mercado de trabalho. A parte “tradicional” é importante e não deve ser deixada de lado, no entanto já passou da hora de atualizar a formação profissional do bibliotecário.

    4) Outras soluções: a formação profissional é uma solução e deve ser feita. Porém, o próprio profissional deve ter consciência de que ele é responsável pela imagem da área. Se o curso na faculdade não foi suficiente, corra atrás de novas informações nas palestras e cursos que são facilmente encontrados por aí. Se a instituição não vê o serviço de informação como sendo importante, o bibliotecário deve demonstrar o contrário. Para poder competir no mercado da informação e da tecnologia não depende do CRB ou do curso. Depende única e exclusivamente do profissional.

 

 

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