ASSINE MEU RSS      CONTATO

Que profissionais queremos ser? Considerações sobre o IX EREBD SE/CO

publicado em 25.11.2008 | 2

Que profissionais queremos ser?

O EREBD SE/CO 2008, realizado em São Paulo, já acabou. No entanto, ficaram idéias e perguntas no ar.

O legal desses eventos são os contatos com as pessoas de outros cursos de biblioteconomia, o que dá uma noção de como são as realidades em cada região.

Também é preciso destacar as mesas redondas que foram de alto nível e o empenho dos organizadores em disponibilizar o conteúdo das palestras na internet, ao vivo. Isso demonstra a preocupação dessa turma com o acesso à informação e o uso da internet para a disseminação de conteúdos. São futuros bibliotecários versão 2.0. :-D

Apesar de não estar presente em corpo, não perdi as mesas redondas de Virtualidade e Contestação pela internet. Havia muitos nomes de peso: Luli Radfahrer (professor da ECA/USP), Maria Aquino (professora da FFLCH/USP), Oswaldo Francisco de Almeida Júnior (professor da UEL) e Luís Milanesi (professor da ECA/USP).

Toda boa palestra faz uma agitação na cabeça de idéias e questões sobre o assunto tratado. De maneira geral, acho que as palestras pegaram numa questão muito relevante para a nossa área e que é dúvida de todos: que profissionais queremos ser?

A seguir, seguem algumas anotações do que foi levantado nas falas dos palestrantes:

  • Os bibliotecários são responsáveis pela preservação da informação;
  • Muitas vezes, o que os alunos aprendem na faculdade não refletem os problemas encontrados numa biblioteca real. Os profissionais precisam identificar as necessidades de seus clientes e buscar atendê-los;
  • Pensar na internet como solução universal para acesso a qualquer tipo de informação é um equívoco. A web representa ainda uma pequena parte de toda informação existente;
  • Os serviços de informação e bibliotecas, em geral, se encontram burocraticamente engessadas. Falta inovação, falta iniciativas de “fazer melhor e diferente”;
  • Os bibliotecários adoram normas, regras e hierarquias muito bem estruturadas. Às vezes, isso é um empecilho. Não devemos olhar feio para a folksonomia. Devemos apropriá-la;
  • A cabeça dos atuais alunos e novos profissionais está mudando, mas como mudar a cabeça dos antigos profissionais? E como mudar a “cabeça” de instituições que não dão valor às bibliotecas e seus profissionais?
  • Não há canais de informação alternativos à televisão, rádio e internet. As bibliotecas deveriam assumir o seu lado contestador como recurso de informação voltado à população e como local de transformação do conhecimento;
  • Sobre as publicações disponíveis na área de ciência da informação e biblioteconomia, é fato: lemos mais do mesmo. É interessante buscar leituras de outras áreas relacionadas. Só assim podemos transformar, melhorar e inovar;
  • Não vivemos numa sociedade da informação ou sociedade do conhecimento. Vivemos numa sociedade do excesso de informação ou numa sociedade da pseudo-acessibilidade da informação (depende do ponto de vista e do otimismo de cada um);
  • Para trabalhar com informação especializada, hoje, não precisa ser mais um profissional da informação. Basta saber pesquisar;
  • O bibliotecário que trabalha em biblioteca escolar precisa conhecer mais Piaget que Dewey. E isso vale para qualquer área;
  • Existe uma forte e natural relação entre informação e comunicação. O bibliotecário precisa pensar mais como comunicador, embora as faculdades não estejam preparadas para formar um profissional com essa característica;
  • Já passou o tempo de disseminar a informação. Precisamos começar a mediar a informação.

(Imagem: orionoir, no Flickr)

 

salve no delicious    compartilhe no twitter

Artigo salvo em:
Biblioteconomia

Tags usadas nesse artigo:
| |

2 comentários

  • Derneval Cunha  comentou em 26.11.2008:
  • Com certeza, o Erebd colocou antes de tudo uma necessidade de repensar a profissao. Diferente de outras areas, a biblioteconomia prima por abordar mais a pratica do que a teoria. Logo, sim, bem mais importante pensar as necessidades do usuario e nao as necessidades que os livros dizem que o usuario deve ter. O problema eh da educacao como um todo. O ensino massificado so te da opcao com relacao ao que voce quer aprender quando chega a epoca do vestibular. Ja o bibliotecario em formacao muitas vezes se esquece que o papel dele eh prestar servico aos que querem aprender. O bibliotecario, mais que aprender codigos de catalogacao (indispensaveis mas.. ) tem que aprender os caminhos que serao tracados por aqueles que irao precisar de seus servicos. Ele nao eh o dono da informacao apenas porque parece habitar a biblioteca. Ele eh um guia que leva o usuario aonde ele quer chegar.
    Se ele conhecer Piaget melhor que Dewey sera algo ruim do ponto de vista academico. Mas sera mais util para o usuario que tem perguntas.
    Claro que o perfil do usuario esta mudando. Da mesma forma o perfil do bibliotecario tambem tem que mudar.

Trackbacks

Envie um comentário sobre esse artigo

Nome:

E-mail (não será divulgado):

Opcionalmente, a URL do seu blog/site:

Mensagem:

 

 

«« Meu TCC sobre Gestão do Conhecimento
Descolagem #3: palestra do Luli Radfahrer sobre internet e educação »»
 
 

O AUTOR

Alexandre Berbe, paulistano, formado pela ECA/USP, bibliotecário da Biblioteca Virtual. Interessado em arquitetura de informação, internet móvel, bibliotecas digitais, redes sociais e cibercultura, acredita que a biblioteconomia pode fazer a diferença no mundo. Tuiteiro, blogueiro e corinthiano, é fã do Wordpress, detesta dias de chuva e o trânsito de São Paulo, gosta de andar na sua bike e adora um cinema com pipoca no fim de semana. :-)

ONDE ESTOU: Siga-me no Twitter Meus links no Delicious Meus vídeos favoritos do YouTube Imagens do Alexandre no Flickr Mais imagens do Alexandre no Flickr Meu perfil no LinkedIn Conheça-me no Facebook

 

topo
home | sobre o web librarian | arquivo do blog | twitter | delicious | facebook | rss
Web Librarian é um blog de Biblioteconomia, Cibercultura e Arquitetura de Informação | Tema: WL 4 versão 2.0 | Tudo isso graças ao Wordpress | Creative Commons 2.5     Volte sempre!