Especialista em diabetes revela como controlar a doença! [COMPROVADO]

Dr. Enrique Caballero especialista em diabetesHenrique Cavaleiro, médico endocrinólogo e especialista em diabetes, concedeu uma entrevista ao SUS e afirma que “a diabetes mata mais pessoas do que todos os cancros e a aids juntos”.

O doutor Cavaleiro, que trabalha em um centro de Boston, que depende da Universidade de Harvard, aposta na boa alimentação e o exercício físico como elementos para estar mais saudáveis.

Entrevista sobre a diabetes e suas complicações de saúde

–O que o doutor faz, fundamentalmente, além de levar uma tarefa de investigação?

–Meu trabalho é criar consciência sobre o problema da diabetes em diferentes partes do mundo, porque cada vez que há uma prevalência mais alta de diabetes tipo 2 ou do adulto. Na maioria dos sistemas de saúde, entre eles o de Portugal, cerca de 70-80 por cento de todo o dinheiro na área de diabetes se gasta com as complicações que provoca a doença. Ou seja, estamos usando o dinheiro para tratar as consequências do problema e não para o problema mesmo.

–Quais são as recomendações que dá aos médicos nas palestras, que oferece em diferentes países?

–Eu aposto por fazer uma detecção precoce e uma intervenção precoce de pacientes com diabetes tipo 2 para se obter um melhor controle e, desse modo, diminuir o risco de complicações. Isso seria uma forma de ajudar muito os sistemas de saúde para, por um lado, reduzir os custos e, por outro, melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes. É necessário criar uma consciência sobre o manejo oportuno e adequado dos pacientes para conseguir um bom controle da diabetes tipo 2 e das patologias associadas.

–Qual é a sua opinião, o principal problema para fazer frente à grande epidemia mundial que supõe a diabetes?

–O grande problema é que a maioria dos pacientes não atingem as metas de tratamento. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas um em cada cinco diabéticos consegue um bom controle do diabetes, da hipertensão arterial e do colesterol, que são três aspectos comuns nesse tipo de pacientes. É o que se conhece como síndrome metabólica. Há que melhorar muito para que as pessoas com diabetes consigam controlar a sua doença. Por isso, acho que há que discutir e analisar quais são as melhores estratégias para conseguir isso.

–Você é considera realmente os pacientes que devem controlar melhor seu distúrbio metabólico?

–Para alcançar esse controle do distúrbio metabólico, é necessário implementar mudanças no estilo de vida, levar uma boa e saudável alimentação, fazer exercício de forma regular e utilizar medicamentos. Agora, felizmente, há uma grande variedade de medicamentos que podem ser utilizados tanto na diabetes de tipo 1 como na de tipo 2.

–A chamada fast-food e o sedentarismo são grandes aliados para que a diabetes se estenda como um fio de pólvora, não é?

–Esse é um dos principais problemas, tanto em Portugal como no mundo. A nossa alimentação não é adequada; há um aumento das calorias que você consome a cada ano. Além disso, cada vez se faz menos exercício. Estamos nos matando lentamente através de um estilo de vida inadequado. Há que criar a consciência da população para que haja uma melhor prevenção da diabetes.

–Eu acho que é importante que a conscientização e a prevenção são aplicadas no ambiente escolar para reduzir a obesidade infantil e, desse modo, que o futuro diminua a diabetes mellitus tipo 2.

–Assim é. Há que levar a cabo esse trabalho de conscientização. Para isso, é importante trabalhar com as crianças em fases iniciais para que façam exercício de forma cotidiana e se alimentarem bem.

–Os médicos têm informação suficiente para aconselhar e formar a população em assuntos de prevenção de diabetes, o colesterol, a hipertensão e a obesidade?

–Sim, porque com doenças muito comuns, há sempre oportunidades de melhorar os conhecimentos e fazer uma prevenção mais efetiva entre a população. A gente ouve a palavra câncer e presta muita atenção, escuta a palavra aids e se assusta, mas poucos sabem que a diabetes mata mais pessoas do que todos os cancros e a aids juntos. É importante conscientizar a população da necessidade de prevenir e tratar adequadamente a doença.

–Como podemos evitar a chamada diabetes do adulto?

–A boa notícia é que o diabetes tipo 2 pode-se prevenir ou atrasar. Eu participo de uma investigação nos Estados Unidos do programa nacional de prevenção de diabetes, em que demonstramos que, se alguém perde 10% de seu peso corporal, e essa pessoa tem pré-diabetes, ou seja, que os seus valores de açúcar estão começando a elevar-se, diminui em 58% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

–No entanto, a maioria da população não queima a gordura e cai nos braços do sedentarismo.

–O exercício há que praticá-lo de forma regular. Recomenda-se fazer meia hora de exercício, pelo menos, cinco vezes por semana. Isso unido a uma alimentação adequada, tanto em quantidade como em qualidade. O grande problema é que se consomem mais calorias do que as necessárias. A dieta mediterrânica, continua a ser uma grande opção. Há que limitar a quantidade de carboidratos refinados.

–Você ganha adeptos da dieta mediterrânea nos Estados Unidos?

–Infelizmente, não é o mais frequente. Nos Estados Unidos está sofrendo as consequências da comida rápida, que está muito presente na população.

Diabetes tem cura

O doutor Cavaleiro explica que se está trabalhando para descobrir a cura para a diabetes, mas ainda não existe essa alternativa, nem para a diabetes tipo 1 ou tipo 2. “Espero que, em algum momento, nas próximas décadas, se possa alcançar a cura. No entanto, há opções para controlar a diabetes através de uma combinação de alimentos, medicamentos e exercício físico”, disse o doutor Cavaleiro. O especialista acrescentou que existem muitos centros que desenvolvem linhas de pesquisa para conseguir uma melhoria importante para poder controlar a diabetes no futuro.

This entry was posted in diabetes. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *